segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O conceito de gramática

Torna-se inegável que ao discutirmos acerca do conceito de gramática, a noção atribuída por um grande número de pessoas é a de que se trata de um conjunto de regras que nos conduz a falar e a escrever corretamente.
Contudo, vale mencionar que tal conceito se apresenta ainda muito mais amplo, a começar pelo significado prescrito pelo dicionário, o qual retrata:

Estudo ou tratado dos fatos da linguagem, falada e escrita, e das leis que a regula.


Tais postulados nos oferecem subsídios suficientes para entendermos o porquê de tal amplitude, principalmente ao ressaltar acerca das leis que regulam a gramática. Estas, portanto, nos são impostas como forma de evidenciar o certo e/ou o errado. Assemelhando-se a regras das quais já temos conhecimento, como aquelas relacionadas à conduta moral e ética, como o código civil e as regras de trânsito, não há o que discutir: cabe a nós respeitá-las e pronto!

Portanto, somos regidos por um sistema convencional, comum a todos os usuários da língua, que em se tratando da linguagem escrita, revela seu aspecto preponderante. Sendo assim, podemos conceber tal aspecto como representando a gramática normativa, pelo fato de se relacionar a normas predeterminadas.

Mas ainda em se tratando do conceito retratado pelo dicionário, temos um importante aspecto, por vezes digno de nota: “fatos da linguagem, falada e escrita”. Dessa forma, estamos nos referindo à forma pela qual a linguagem se realiza, independentemente de a comunicação se revelar como adequada ou não, visto que de qualquer forma a interlocução se manifesta. Tal ocorrência nos faz crer que há um outro tipo de gramática – aquela que procura verificar as uniformidades ou divergências existentes entre os diversos registros de uma mesma língua, como é o caso dos dialetos.

Por último, temos a gramática internalizada, aquela representada pelas experiências intrínsecas ao falante, desde sua tenra idade. Trata-se de uma característica que o indivíduo já possui (independentemente de ser escolarizado ou não) e que aos poucos vai aprimorando, de acordo com suas experiências linguísticas.


Noções linguísticas

Quando se fala em noções linguísticas, o foco está direcionado para aquele conhecimento do qual todo usuário precisa dispor, sobretudo em se tratando de situações específicas de interlocução. Assim, estabelecendo uma relação com tal pressuposto, há que se evidenciar acerca de alguns “desvios” que esse usuário, na condição de emissor, comete, tanto em se tratando da fala quanto da escrita. Muitas vezes, esse posicionamento pode se dar por um simples descuido, como também pela falta de conhecimento acerca das distintas particularidades que norteiam a língua de forma geral.
Nesse sentido, o artigo em questão tem por finalidade evidenciar alguns casos que constantemente se manifestam, representando alvo de questionamentos que, consequentemente, precisam ser solucionados, de modo a evitar determinados constrangimentos que atuam de forma negativa em algumas situações. Assim, analisemos alguns deles:

Dolorido e dolorosos– Diferenças que os demarcam
Diante de dois vocábulos cuja diferença se estabelece somente pelo sufixo, provavelmente algumas dúvidas surgirão no momento de distingui-los. Contudo, eis que essas são demarcadas por:
O vocábulo doloroso, tido em seu sentido mais amplo, refere-se a tudo àquilo que possa causa dor. A título de ilustração, atenhamo-nos ao exemplo subsequente:
O tratamento foi doloroso (por oposição a indolor)
Já “dolorido”, cuja terminação é demarcada pelo particípio (IDO), refere-se a algo que sofre, que sente a dor. Como exemplos, citamos:
Meu braço está dolorido.
Ainda com o corpo dolorido, resolveu caminhar um pouco.

Dessa forma, procuremos não mais dizer que a injeção foi dolorida, mas sim “dolorosa”, pois o que está dolorido é o local em que essa foi aplicada.

À custa ou às custas?
Nossa, fulano vive até hoje às custas do pai! Ou seria à custa? 
É bem verdade que, normalmente, ouvimos por aí “às custas”. No entanto, vale lembrar que o vocábulo “custas”, manifestado no meio
judicial, refere-se a despesas processuais. Assim, de forma conveniente, podemos proferir:
Essas são as custas processuais.
Fulano vive até hoje à custa do pai.


Ele previu ou ele preveu?
A bem da verdade, torna-se conveniente considerarmos que o verbo prever deriva do verbo ver. Portanto, para conjugá-lo, devemos seguir o mesmo padrão do verbo em referência (ver). Ele, você, todos nós previmos, e não prevemos (no pretérito).

Ao ato de ranger os dentes atribuímos bruxismo (com som de x)?
Engana-se quem, até então, fez desse pressuposto uma verdade.
Saiba que o verdadeiro som que se deve à pronúncia dessa palavra é o mesmo relativo a táxi, ou seja, “tacsi”.
Dessa forma, não convém confundirmos bruxismo (ora pronunciado com som de “x”, pois esse se refere a bruxas), com bruxismo (pronunciado com o mesmo som de táxi), uma vez que ele se refere ao ato de ranger os dentes.

Neologismo Semântico

Enquanto falantes, não dispomos de tempo e nem priorizamos a importância de atentar-nos para o caráter dinâmico concernente à questão da linguagem. A língua caracteriza-se pela sua função social, interagindo, promovendo a troca de conhecimentos, facilitando o intercâmbio entre as diversas culturas, dentre outros fatores.

E ao nos referirmos a tal dinamismo, o mesmo está diretamente ligado às variações de registro, como é o da linguagem abreviada dos internautas, cujo emprego tornou-se cristalizado entre o vocabulário dos mesmos.

Outro exemplo são os neologismos, comumente utilizados no dia a dia, em textos jornalísticos, na música, na literatura e, sobretudo, na linguagem tecnológica. Trata-se da competência do falante em atribuir um novo conceito linguístico a um determinado elemento. De acordo com a perpetuação da referida ocorrência, este conceito passa a incorporar-se ao vocabulário de forma padronizada, vindo a compor um verbete normal, preconizado pelos dicionários.

Reportando-nos a alguns exemplos, cita-se a linguagem ligada à informática, tais como “deletar” (forma aportuguesada de delete), cuja significância refere-se ao ato de apagar, eliminar algo pertencente ao texto, e “logar” (forma aportuguesada de login ou logon), a qual denota uma configuração pessoal, como requisito primordial para se obter acesso à rede mundial de computadores.

Enfatizando o caso dos neologismos semânticos, os mesmos compõem um hábito bastante usual, cuja utilização pauta-se por atribuirmos outros conceitos a determinadas palavras, tendo em vista uma relação de significância, sem que para isso passem por nenhum processo de modificação formal. Vejamos alguns exemplos:

Sem pensar nas consequências, os moradores resolveram fazer um gato.

Concluímos, portanto, que, atribuiu-se um novo significado ao substantivo comum “gato”, aqui retratado pelo ato indevido de ligações elétricas clandestinas, sem a devida permissão oriunda do órgão competente.

Nossa! Que papelão foi aquele em não cumprimentar as pessoas!

Aqui temos um substantivo sendo atribuído a um novo significado, ou seja, à falta de cortesia concebida a uma determinada pessoa.

Por questões burocráticas, esta empresa optou por adotar um laranja como seu representante legal.

Novamente deparamos com um substantivo desviando-se de sua unidade significativa, ora representada pela conduta antiética proferida por alguém.

Morfossintaxe

Na sua vida escolar você aprendeu (ou talvez ainda continue aprendendo) sobre os distintos fatos linguísticos, dentre eles: substantivo, adjetivo, sujeito, predicado, adjunto adverbial, etc. Contudo, é bem provável que não tenha aprendido como tais assuntos se dividem dentre as partes da gramática, tampouco acerca do que realmente seja morfossintaxe. Em razão disso, dispomo-nos a levar a você os conhecimentos necessários sobre um assunto de tamanha importância – muitas vezes cobrado em provas de concursos e exames de vestibulares.
Desta feita, a morfossintaxe nada mais é do que a análise morfológica e sintática, realizada simultaneamente. Mas para que sua compreensão seja efetivada de forma plausível, faz-se necessário entender, antes de tudo, que a análise morfológica diz respeito às dez classes gramaticais; e a análise sintática faz referência às funções desempenhadas por uma dada palavra, estando ela inserida num contexto oracional.
Assim, colocando em prática tudo o que dissemos, analisemos o exemplo em questão, levando em consideração ambas as análises:
Os alunos foram vencedores.
Morfologicamente, temos:
Os – artigo definido (plural)
alunos – substantivo
foram – verbo ser (flexionado no pretérito perfeito do modo indicativo)
vencedores – neste contexto representa um adjetivo, mas pode também atuar como substantivo.
Sintaticamente, concluímos que:
Os alunos – sujeito simples
foram vencedores – predicado nominal, em função do verbo de ligação
vencedores – predicativo do sujeito
É preciso, pois, estabelecer a diferença entre classe e função para entender como se processa a morfossintaxe, pois uma palavra pode transitar entre uma posição e outra.

Letra "U": uso ou não do acento gráfico

Muitas vezes temos dúvidas acerca do porquê de algumas palavras receberem acento gráfico e outras não, sobretudo pelo fato de que as regras de acentuação se mostram um tanto quanto complexas.
Escolhemos, pois, a letra “u”, que, a princípio, pode parecer um assunto com pouca relevância, mas acredite que algumas informações nos são verdadeiramente necessárias. Partamos de alguns exemplos, triviais até:
Itaú
Pacaembu
Grajaú
Itu
Caju
Paracatu
Jaú
Baú
Itaú
Constatamos que algumas delas receberam acento gráfico e outras não, tudo em nome, como já afirmado anteriormente, das famosas regras, das quais temos de ter conhecimento, pois assim algumas dúvidas tenderão a acabar.
Itaú
Jaú
Baú
Grajaú
Quando separadas as sílabas, percebemos que a letra sobre a qual fazemos referência representa um hiato, pois:
O “i” e o “u” tônicos do hiato são acentuados quando isolados na sílaba ou acompanhados de “s”.
As demais, representadas por:
Pacaembu
Itu
Caju
Paracatu
Uma vez separadas, classificam-se como oxítonas, cuja última sílaba se demarca também por essa letra em questão. Por isso:
Somente se acentuam as oxítonas terminadas em a, e, o, em,  seguidas ou não de “s”.

Linguagem, língua e fala

A princípio, esses três elementos, por fazerem parte do ato comunicativo, parecem apresentar particularidades em comum.
Contudo, vale dizer que do ponto de vista da Linguística (que, na voz de André Martinet, considera-se como “o estudo científico da linguagem humana”), cada um deles possui traços específicos.

Em função disso, o artigo em questão tem por finalidade apontar acerca desses, no intuito de aprimorar seus conhecimentos no que tange a esse assunto. Sendo assim, vejamos:

Atribui-se à linguagem todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar a comunicação, podendo essa ser verbal e não verbal. Diferenciando-as, temos:

* Linguagem verbal – representa aquela cujos sinais são as palavras.

* Linguagem não verbal – é aquela que se utiliza de outros sinais para que a comunicação se estabeleça. Como exemplo, podemos citar a linguagem dos surdos-mudos, os sinais de trânsito, as placas, entre outros símbolos, manifestados por:



         


Considera-se como língua todo um sistema convencional (mediado pelos parâmetros gramaticais) que pertence a um grupo de indivíduos. Nesse caso, temos o Português, Espanhol, Francês, Italiano, entre outros idiomas. Esse sistema é formado por um conjunto de sinais, que são as palavras, e por um conjunto de regras as quais estabelecem a combinação desses sinais.

Por último, temos a fala, cuja acepção se remete à concretização da língua, realizada por um indivíduo de uma dada comunidade. Dessa forma, usufruindo de seu conhecimento acerca das leis combinatórias que regem a língua, cada pessoa expressa de forma particular seus pensamentos e suas emoções, tendo em vista o caráter único que norteia o perfil humano.

Diferença entra classe e função

Diferença entre classe e função... Eis que estamos diante do requisito primordial que norteia a compreensão da “análise morfológica” e da “análise sintática”. Desta feita, como se trata de algo bastante importante perante os estudos linguísticos, esse artigo tem por objetivo ressaltar a importância da distinção entre classe e função, uma vez que classe se refere à análise morfológica; e função, à análise sintática.
Suponhamos, portanto, que estivéssemos incumbidos de analisar, morfológica e sintaticamente, estes enunciados:
Estive no colégio sábado.
Fazendo a análise morfológica, temos:
estive – verbo
no – preposição (em + a)
colégio – substantivo
sábado – substantivo
Sintática:
Eu – sujeito oculto
estive no colégio sábado – predicado verbal
no colégio – adjunto adverbial de lugar
sábado – adjunto adverbial de tempo
Como pôde perceber, as palavras que, de acordo com a classe, classificam-se como substantivos, como é o caso de ‘colégio’ e ‘sábado’, analisadas de acordo com a função, exercem papéis diferentes, concorda? Ou seja, exercem papel, respectivamente, de adjunto adverbial de lugar e de tempo.
Vejamos, pois, outro enunciado:
Entregaram as notas aos alunos.
Morfologicamente dizendo, temos:
entregaram – verbo
as – artigo definido
notas – substantivo
aos – preposição (a+o), seguida da marca de plural “-s”
alunos – substantivo
Sintaticamente:
Sujeito indeterminado 
Verbo na terceira pessoa do plural – entregaram
Predicado – entregaram as notas aos alunos
as notas – objeto direto
aos alunos – objeto indireto
Percebemos que os substantivos “notas” e “alunos” passaram a desempenhar, respectivamente, a função de objeto direto e indireto.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O conceito de gramática

Torna-se inegável que ao discutirmos acerca do conceito de gramática, a noção atribuída por um grande número de pessoas é a de que se trata de um conjunto de regras que nos conduz a falar e a escrever corretamente.
Contudo, vale mencionar que tal conceito se apresenta ainda muito mais amplo, a começar pelo significado prescrito pelo dicionário, o qual retrata:

Estudo ou tratado dos fatos da linguagem, falada e escrita, e das leis que a regula.


Tais postulados nos oferecem subsídios suficientes para entendermos o porquê de tal amplitude, principalmente ao ressaltar acerca das leis que regulam a gramática. Estas, portanto, nos são impostas como forma de evidenciar o certo e/ou o errado. Assemelhando-se a regras das quais já temos conhecimento, como aquelas relacionadas à conduta moral e ética, como o código civil e as regras de trânsito, não há o que discutir: cabe a nós respeitá-las e pronto!

Portanto, somos regidos por um sistema convencional, comum a todos os usuários da língua, que em se tratando da linguagem escrita, revela seu aspecto preponderante. Sendo assim, podemos conceber tal aspecto como representando a gramática normativa, pelo fato de se relacionar a normas predeterminadas.

Mas ainda em se tratando do conceito retratado pelo dicionário, temos um importante aspecto, por vezes digno de nota: “fatos da linguagem, falada e escrita”. Dessa forma, estamos nos referindo à forma pela qual a linguagem se realiza, independentemente de a comunicação se revelar como adequada ou não, visto que de qualquer forma a interlocução se manifesta. Tal ocorrência nos faz crer que há um outro tipo de gramática – aquela que procura verificar as uniformidades ou divergências existentes entre os diversos registros de uma mesma língua, como é o caso dos dialetos.

Por último, temos a gramática internalizada, aquela representada pelas experiências intrínsecas ao falante, desde sua tenra idade. Trata-se de uma característica que o indivíduo já possui (independentemente de ser escolarizado ou não) e que aos poucos vai aprimorando, de acordo com suas experiências linguísticas.


Noções linguísticas

Quando se fala em noções linguísticas, o foco está direcionado para aquele conhecimento do qual todo usuário precisa dispor, sobretudo em se tratando de situações específicas de interlocução. Assim, estabelecendo uma relação com tal pressuposto, há que se evidenciar acerca de alguns “desvios” que esse usuário, na condição de emissor, comete, tanto em se tratando da fala quanto da escrita. Muitas vezes, esse posicionamento pode se dar por um simples descuido, como também pela falta de conhecimento acerca das distintas particularidades que norteiam a língua de forma geral.
Nesse sentido, o artigo em questão tem por finalidade evidenciar alguns casos que constantemente se manifestam, representando alvo de questionamentos que, consequentemente, precisam ser solucionados, de modo a evitar determinados constrangimentos que atuam de forma negativa em algumas situações. Assim, analisemos alguns deles:

Dolorido e dolorosos– Diferenças que os demarcam
Diante de dois vocábulos cuja diferença se estabelece somente pelo sufixo, provavelmente algumas dúvidas surgirão no momento de distingui-los. Contudo, eis que essas são demarcadas por:
O vocábulo doloroso, tido em seu sentido mais amplo, refere-se a tudo àquilo que possa causa dor. A título de ilustração, atenhamo-nos ao exemplo subsequente:
O tratamento foi doloroso (por oposição a indolor)
Já “dolorido”, cuja terminação é demarcada pelo particípio (IDO), refere-se a algo que sofre, que sente a dor. Como exemplos, citamos:
Meu braço está dolorido.
Ainda com o corpo dolorido, resolveu caminhar um pouco.

Dessa forma, procuremos não mais dizer que a injeção foi dolorida, mas sim “dolorosa”, pois o que está dolorido é o local em que essa foi aplicada.

À custa ou às custas?
Nossa, fulano vive até hoje às custas do pai! Ou seria à custa? 
É bem verdade que, normalmente, ouvimos por aí “às custas”. No entanto, vale lembrar que o vocábulo “custas”, manifestado no meio
judicial, refere-se a despesas processuais. Assim, de forma conveniente, podemos proferir:
Essas são as custas processuais.
Fulano vive até hoje à custa do pai.


Ele previu ou ele preveu?
A bem da verdade, torna-se conveniente considerarmos que o verbo prever deriva do verbo ver. Portanto, para conjugá-lo, devemos seguir o mesmo padrão do verbo em referência (ver). Ele, você, todos nós previmos, e não prevemos (no pretérito).

Ao ato de ranger os dentes atribuímos bruxismo (com som de x)?
Engana-se quem, até então, fez desse pressuposto uma verdade.
Saiba que o verdadeiro som que se deve à pronúncia dessa palavra é o mesmo relativo a táxi, ou seja, “tacsi”.
Dessa forma, não convém confundirmos bruxismo (ora pronunciado com som de “x”, pois esse se refere a bruxas), com bruxismo (pronunciado com o mesmo som de táxi), uma vez que ele se refere ao ato de ranger os dentes.

Neologismo Semântico

Enquanto falantes, não dispomos de tempo e nem priorizamos a importância de atentar-nos para o caráter dinâmico concernente à questão da linguagem. A língua caracteriza-se pela sua função social, interagindo, promovendo a troca de conhecimentos, facilitando o intercâmbio entre as diversas culturas, dentre outros fatores.

E ao nos referirmos a tal dinamismo, o mesmo está diretamente ligado às variações de registro, como é o da linguagem abreviada dos internautas, cujo emprego tornou-se cristalizado entre o vocabulário dos mesmos.

Outro exemplo são os neologismos, comumente utilizados no dia a dia, em textos jornalísticos, na música, na literatura e, sobretudo, na linguagem tecnológica. Trata-se da competência do falante em atribuir um novo conceito linguístico a um determinado elemento. De acordo com a perpetuação da referida ocorrência, este conceito passa a incorporar-se ao vocabulário de forma padronizada, vindo a compor um verbete normal, preconizado pelos dicionários.

Reportando-nos a alguns exemplos, cita-se a linguagem ligada à informática, tais como “deletar” (forma aportuguesada de delete), cuja significância refere-se ao ato de apagar, eliminar algo pertencente ao texto, e “logar” (forma aportuguesada de login ou logon), a qual denota uma configuração pessoal, como requisito primordial para se obter acesso à rede mundial de computadores.

Enfatizando o caso dos neologismos semânticos, os mesmos compõem um hábito bastante usual, cuja utilização pauta-se por atribuirmos outros conceitos a determinadas palavras, tendo em vista uma relação de significância, sem que para isso passem por nenhum processo de modificação formal. Vejamos alguns exemplos:

Sem pensar nas consequências, os moradores resolveram fazer um gato.

Concluímos, portanto, que, atribuiu-se um novo significado ao substantivo comum “gato”, aqui retratado pelo ato indevido de ligações elétricas clandestinas, sem a devida permissão oriunda do órgão competente.

Nossa! Que papelão foi aquele em não cumprimentar as pessoas!

Aqui temos um substantivo sendo atribuído a um novo significado, ou seja, à falta de cortesia concebida a uma determinada pessoa.

Por questões burocráticas, esta empresa optou por adotar um laranja como seu representante legal.

Novamente deparamos com um substantivo desviando-se de sua unidade significativa, ora representada pela conduta antiética proferida por alguém.

Morfossintaxe

Na sua vida escolar você aprendeu (ou talvez ainda continue aprendendo) sobre os distintos fatos linguísticos, dentre eles: substantivo, adjetivo, sujeito, predicado, adjunto adverbial, etc. Contudo, é bem provável que não tenha aprendido como tais assuntos se dividem dentre as partes da gramática, tampouco acerca do que realmente seja morfossintaxe. Em razão disso, dispomo-nos a levar a você os conhecimentos necessários sobre um assunto de tamanha importância – muitas vezes cobrado em provas de concursos e exames de vestibulares.
Desta feita, a morfossintaxe nada mais é do que a análise morfológica e sintática, realizada simultaneamente. Mas para que sua compreensão seja efetivada de forma plausível, faz-se necessário entender, antes de tudo, que a análise morfológica diz respeito às dez classes gramaticais; e a análise sintática faz referência às funções desempenhadas por uma dada palavra, estando ela inserida num contexto oracional.
Assim, colocando em prática tudo o que dissemos, analisemos o exemplo em questão, levando em consideração ambas as análises:
Os alunos foram vencedores.
Morfologicamente, temos:
Os – artigo definido (plural)
alunos – substantivo
foram – verbo ser (flexionado no pretérito perfeito do modo indicativo)
vencedores – neste contexto representa um adjetivo, mas pode também atuar como substantivo.
Sintaticamente, concluímos que:
Os alunos – sujeito simples
foram vencedores – predicado nominal, em função do verbo de ligação
vencedores – predicativo do sujeito
É preciso, pois, estabelecer a diferença entre classe e função para entender como se processa a morfossintaxe, pois uma palavra pode transitar entre uma posição e outra.

Letra "U": uso ou não do acento gráfico

Muitas vezes temos dúvidas acerca do porquê de algumas palavras receberem acento gráfico e outras não, sobretudo pelo fato de que as regras de acentuação se mostram um tanto quanto complexas.
Escolhemos, pois, a letra “u”, que, a princípio, pode parecer um assunto com pouca relevância, mas acredite que algumas informações nos são verdadeiramente necessárias. Partamos de alguns exemplos, triviais até:
Itaú
Pacaembu
Grajaú
Itu
Caju
Paracatu
Jaú
Baú
Itaú
Constatamos que algumas delas receberam acento gráfico e outras não, tudo em nome, como já afirmado anteriormente, das famosas regras, das quais temos de ter conhecimento, pois assim algumas dúvidas tenderão a acabar.
Itaú
Jaú
Baú
Grajaú
Quando separadas as sílabas, percebemos que a letra sobre a qual fazemos referência representa um hiato, pois:
O “i” e o “u” tônicos do hiato são acentuados quando isolados na sílaba ou acompanhados de “s”.
As demais, representadas por:
Pacaembu
Itu
Caju
Paracatu
Uma vez separadas, classificam-se como oxítonas, cuja última sílaba se demarca também por essa letra em questão. Por isso:
Somente se acentuam as oxítonas terminadas em a, e, o, em,  seguidas ou não de “s”.

Linguagem, língua e fala

A princípio, esses três elementos, por fazerem parte do ato comunicativo, parecem apresentar particularidades em comum.
Contudo, vale dizer que do ponto de vista da Linguística (que, na voz de André Martinet, considera-se como “o estudo científico da linguagem humana”), cada um deles possui traços específicos.

Em função disso, o artigo em questão tem por finalidade apontar acerca desses, no intuito de aprimorar seus conhecimentos no que tange a esse assunto. Sendo assim, vejamos:

Atribui-se à linguagem todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar a comunicação, podendo essa ser verbal e não verbal. Diferenciando-as, temos:

* Linguagem verbal – representa aquela cujos sinais são as palavras.

* Linguagem não verbal – é aquela que se utiliza de outros sinais para que a comunicação se estabeleça. Como exemplo, podemos citar a linguagem dos surdos-mudos, os sinais de trânsito, as placas, entre outros símbolos, manifestados por:



         


Considera-se como língua todo um sistema convencional (mediado pelos parâmetros gramaticais) que pertence a um grupo de indivíduos. Nesse caso, temos o Português, Espanhol, Francês, Italiano, entre outros idiomas. Esse sistema é formado por um conjunto de sinais, que são as palavras, e por um conjunto de regras as quais estabelecem a combinação desses sinais.

Por último, temos a fala, cuja acepção se remete à concretização da língua, realizada por um indivíduo de uma dada comunidade. Dessa forma, usufruindo de seu conhecimento acerca das leis combinatórias que regem a língua, cada pessoa expressa de forma particular seus pensamentos e suas emoções, tendo em vista o caráter único que norteia o perfil humano.

Diferença entra classe e função

Diferença entre classe e função... Eis que estamos diante do requisito primordial que norteia a compreensão da “análise morfológica” e da “análise sintática”. Desta feita, como se trata de algo bastante importante perante os estudos linguísticos, esse artigo tem por objetivo ressaltar a importância da distinção entre classe e função, uma vez que classe se refere à análise morfológica; e função, à análise sintática.
Suponhamos, portanto, que estivéssemos incumbidos de analisar, morfológica e sintaticamente, estes enunciados:
Estive no colégio sábado.
Fazendo a análise morfológica, temos:
estive – verbo
no – preposição (em + a)
colégio – substantivo
sábado – substantivo
Sintática:
Eu – sujeito oculto
estive no colégio sábado – predicado verbal
no colégio – adjunto adverbial de lugar
sábado – adjunto adverbial de tempo
Como pôde perceber, as palavras que, de acordo com a classe, classificam-se como substantivos, como é o caso de ‘colégio’ e ‘sábado’, analisadas de acordo com a função, exercem papéis diferentes, concorda? Ou seja, exercem papel, respectivamente, de adjunto adverbial de lugar e de tempo.
Vejamos, pois, outro enunciado:
Entregaram as notas aos alunos.
Morfologicamente dizendo, temos:
entregaram – verbo
as – artigo definido
notas – substantivo
aos – preposição (a+o), seguida da marca de plural “-s”
alunos – substantivo
Sintaticamente:
Sujeito indeterminado 
Verbo na terceira pessoa do plural – entregaram
Predicado – entregaram as notas aos alunos
as notas – objeto direto
aos alunos – objeto indireto
Percebemos que os substantivos “notas” e “alunos” passaram a desempenhar, respectivamente, a função de objeto direto e indireto.

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